Mesa Completa - Por Solange Souza

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Colunistas • 9 de janeiro de 2019

Ipanema 159

Cercados de pequenos restaurantes, Leblon e Ipanema mantêm o charme. O Rio de Janeiro continua sendo... – Chef Carlos Ribeiro

Desde criança, passava parte dos meus verões na casa de minha tia-avó Lídia Ribeiro do Prado, exatamente na rua Cupertino Durão, no coração do Leblon. Dias muito quentes, no verão de 40 graus, que eram abrandados pelos refrescos (sim, eram refrescos de tangerina, maracujá, abacaxi e limão, tudo misturado com chá mate… coisas da casa da minha tia) feitos pela Maria Balbina, uma cozinheira de mão-cheia, que trabalhou a vida inteira, até a tia Lídia partir para outras esferas.

Sempre rodeados de pequenos restaurantes, lugares como Leblon e Ipanema ainda mantêm esse charme até hoje. Passeando por Ipanema, sempre fico procurando por clássicos, que considero por conta própria, como o filé Oswaldo Aranha, que para mim é o melhor e mais carioca de todos os pratos. Outros ícones ainda resistem, como arroz à piamontese (acho que só existe mesmo no Rio de Janeiro. Não me recordo de ter comido em outro local). No extinto Bar Bofetada se fazia o Badof (tutu com carne seca desfiada, muito alho e salsinha).

Na minha recente viagem ao Rio, conheci o charmoso Ipanema 159, dos restaurateurs Antônio Militão e Raimundo Teixeira, com um resumo de tudo que mais aprecio na cozinha carioca: deliciosos petiscos como linguiça na cachaça, com cebolas carameladas e fatias de pão, para petiscarmos até o fundo do prato. E os pastéis – e já tenho o meu favorito, o de Moquequinha com bastante recheio no ponto e com camarões deliciosos. Por falar em camarões, eles fazem um risoto bem executado com esse ingrediente, com boa cremosidade, que é importante para esse prato.

E não é que encontro o meu carro-chefe no Ipanema 159? Sim, um picadinho muito gostoso! Estão de parabéns! Foi tenso para eles quando falei que era o meu favorito e que sabia fazer também (risos). Sou comilão e sempre afirmo. Os doces, sempre deixo para caso tenha um bom pudim e esse foi o ponto marcante da refeição: um rico pudim de leite.

Mas preciso falar dos “bebes”, e não poderia ser de outra forma. Depois de um grande intervalo com a minha experiência com a tiquira, provei um drinque delicioso feito com essa bebida de origem maranhense. Destilada a partir da mandioca, a Guaaja Tiquira foi resgatada pela empresária carioca, que hoje reside no Maranhão, Margot Stinglwagner, e vem ganhando espaço em concursos internacionais.

Para esta edição de feliz ano novo, vamos brindar com o drinque Raízes, criado exclusivamente para o Ipanema 159 pelo experiente Alexandre Ferreira, que tem passagens longas por Club Med, Miako, Hard Rock Café, entre outros. Para a felicidade dos que amam os produtos brasileiros, como eu, ele usa a nossa mais brasileira aguardente. Segue a receita:

Raízes

Ingredientes

  • 50 ml de tiquira branca Guaaja
  • 25 ml suco de limão-taiti
  • 20 ml de xarope de coentro
  • 10 ml de St. Remy
  • uma pitada de raiz forte em pó

Bata tudo em um coqueteleira. Passe para um copo old fashioned, depois complete com espuma de gengibre. Decore com pimenta do reino e uma raiz de coentro desidratada.

Aquele abraço de hoje vai para Antônio Militão, Raimundo Nilton, Margot Stinglwagner, a cantora Eliana Pitman e aos jornalistas Luiz Carlos Lourenço, Isabelle Lindote e Roberta Ristow.


Na Cozinha Restaurante e Escola de Culinária
Rua Haddock Lobo, 955 – Jardins
Telefones: (11) 3063-5377 e 3063-5374


2 Comentários

  1. Flávio thrussar labrincha disse:

    Parabéns reportagem restaurante Sr Militão bar & restaurante Ipanema 159, qualidade excelente, atendimento fácil e rápido …. Superbe …. Atenciosamente flavio thrussar labrincha

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