Mesa Completa - Por Solange Souza

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    Colunistas • 19 de março de 2026

    Águas de Janaína

    Um ritual que reúne cozinha e memória, para celebrar e renascer com a força que vem das águas – Por Carlos Ribeiro

    No coração da Avenida Ipiranga, no centro de São Paulo, a comida ganha outro sentido. Em frente ao Bar da Dona Onça, panelas, tambores e fé se encontram para dar vida a um dos eventos mais simbólicos da gastronomia brasileira: o Águas de Janaína.

    Criado por Janaína Torres ao lado dos chefs Carmen Virgínia e Carlos Ribeiro (foto de abertura), o encontro nasceu como um gesto de celebração, proteção e renovação — um chamado coletivo para trazer o que há de bom e afastar o que há de ruim.

    Em 2026, o evento chega à sua 13ª edição, celebrando também os 18 anos do Bar da Dona Onça, símbolo da revitalização do centro paulistano e da valorização da cozinha popular brasileira. Aberto ao público, o encontro acontece no dia 24 de março, reunindo comida, música, rituais e encontros que atravessam território, cultura e espiritualidade.

    Janaína Torres e as baianas do Camisa Verde e Branco na cerimônia da lavagem da calçada

    Ali, entre petiscos a preços populares, cantos e danças, reverencia-se Iemanjá — Rainha das Águas e das Marés, também chamada de Janaína — em uma cerimônia que conecta o sagrado ao cotidiano, a cozinha à ancestralidade. Como acontece em todas as edições, na abertura há a cerimônia de lavagem da calçada em frente ao Bar da Dona Onça com flores e águas de cheiro — um dos momentos mais bonitos da celebração, conduzido com a presença das baianas que, há treze edições, encantam o público com sua força, beleza e tradição.

    Um encontro de cozinhas, territórios e ancestralidades

    Chef Fatmata Binta, de Serra Leoa

    Pela primeira vez, o evento reúne chefs convidadas, mulheres que carregam em suas trajetórias a força de seus territórios e saberes. Diretamente de Serra Leoa, a chef Fatmata Binta apresenta sorvete de baobá, fruta tradicional da África Ocidental e muito presente na cultura de povos nômades fulani, ampliando o diálogo entre África e Brasil.

    Da Amazônia, Aline Ramos leva a quinhapira, caldo indígena picante típico da região do Rio Negro, expressão viva das culturas indígenas. Do Espírito Santo, Angelita Gonzaga apresenta o pastel de angu com picadinho da Onça, resgatando a força do campo. Da Bahia, Ieda de Matos traz sua mariscada com fava branca e fumeiro, carregada de memória.

    Do litoral paulista, Daniela Salim conecta mar e território com o casadinho de manjuba com vinagrete de banana da terra. Representando Pernambuco, Carmen Virgínia reafirma a força da cozinha afro-brasileira com seu acarajé.

    Chef Carlos Ribeiro – Foto: Paule Marques

    E entre essas vozes, estou eu, Carlos Ribeiro com o caldinho de caranguejo, expressão da ancestralidade nordestina, do dendê e da cozinha como cultura e espiritualidade.

    À frente de tudo, Janaína apresenta pratos que sintetizam sua trajetória: cozido à brasileira, pastel de bobó e pastel de queijos brasileiros — comida de memória, afeto e identidade.

    Festa, ritual e celebração da vida
    A programação atravessa o dia com música e manifestações culturais: Nanana da Mangueira, Pastoras do Rosário, a Cerimônia das Águas, Gabi do Carmo, Pagode na Lata e a força da Vai-Vai. Tanto a Vai-Vai quanto a Camisa Verde e Branco levam algumas de suas baianas para participar dos festejos. Mais do que um evento, o Águas de Janaína se consolida como um ato coletivo de celebração, cura e resistência, onde cozinhar e compartilhar se tornam gestos de pertencimento. Ali, no centro da cidade, o Brasil se encontra — em suas águas, suas raízes e sua gente.

    “Nós criamos a festa justamente para trazer energias boas, tirar o mau olhado e afastar tudo o que é ruim. Todo mundo que vem para cá vem para trocar energia positiva” – Janaína Torres.

    Fotos de abertura e da Chef Janaína Torres com as baianas: Alexandre Virgílio/Divulgação/ Demais fotos: Divulgação

    PROGRAMAÇÃO:
    16h00 — Nanana da Mangueira
    17h00 — Pastoras do Rosário
    18h00 — Cerimônia das Águas
    19h00 — Gabi do Carmo
    20h00 — Pagode na Lata
    21h00 — Vai Vai, Tobias e Elisete

    PRATOS:

    Janaína Torres — Cozido à brasileira, pastel de bobó e pastel de queijos brasileiros

    Carlos Ribeiro — Caldinho de caranguejo

    Carmen Virgínia — Acarajé

    Fatmata Binta — Sorvete de baobá

    Aline Ramos — Quinhapira

    Angelita Gonzaga — Pastel de angu com picadinho da Onça

    Daniela Salim — Casadinho de manjuba com vinagrete de banana da terra

    Ieda de Matos — Mariscada com fava branca e fumeiro.

    SERVIÇO:
    Águas de Janaína – 13ª edição | 18 anos do Bar da Dona Onça

    📅 Data: 24 de março de 2026

    🕓 Horário: a partir das 16h

    📍 Local: Bar da Dona Onça – Av. Ipiranga, 200 – Centro, São Paulo. Os pratos custam R$ 30,00 cada um. 


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