A trajetória de Meire Virginia Pereira, nascida em São Paulo e residente em Mococa (SP), começou longe da cozinha — entre voos e rotinas exigentes, como comissária de bordo e no mundo corporativo. Foi assim que aprendeu disciplina, excelência e o verdadeiro significado de servir bem. “Mas, dentro de mim, sempre existiu algo maior: o amor pela comida. Cozinhar nunca foi apenas fazer refeições. Sempre foi minha forma de acolher, de reunir pessoas, de transformar ingredientes simples em momentos especiais. E foi assim, de forma despretensiosa, que nasceu a minha farofa”, declara.
Nos churrascos de família, nas mesas entre amigos, a farofa preparada por ela começou a ganhar espaço. Feita com carinho, virou tradição. Depois, virou pedido. E então, virou propósito. Assim nasceu a Farofa Gourmet da Mê. “Cada sabor que criei — bacon, alho, limão siciliano, castanhas — carrega a minha essência. Cada embalagem leva mais do que comida: leva história, dedicação e amor”, conta.
Meire Virginia Pereira, criadora da Farofa Gourmet da Mê
Para Meire Virginia, comida de verdade aproxima, acolhe e cria memória. “Mas essa história começa muito antes de mim… Muito antes de qualquer cozinha moderna, os povos indígenas já dominavam o maior ingrediente do Brasil: a mandioca”, relembra.
Domesticada há milhares de anos na Amazônia, a mandioca se transformou na base alimentar dos povos originários. Com sabedoria ancestral, eles aprenderam a transformar a mandioca brava — venenosa — em alimento seguro, através de processos como ralar, prensar no tipiti e torrar. Assim nasceu a farinha de mandioca: o primeiro grande alimento brasileiro. A farofa veio depois — quase como um gesto natural. Misturar farinha com gordura, com sucos, com o que havia disponível. Há relatos de que os indígenas já faziam isso ao aproveitar a gordura de carnes assadas, criando uma mistura rústica, nutritiva e cheia de sabor. Com o tempo, essa prática ganhou o Brasil.
Os portugueses levaram a farofa em viagens e expedições. Os africanos trouxeram novos sabores, como o dendê, as pimentas e outras formas de preparo. E assim, a farofa virou o que é hoje: um símbolo da nossa identidade.
A farofa é simples — mas nunca é só simples. Ela carrega a história indígena, a resistência africana e adaptação portuguesa. É Brasil. E hoje, na minha cozinha, a farofa continua sendo tudo isso — com mais um ingrediente: o amor de quem faz.
Farofa Gourmet da Mê
Pedidos e atendimento: (11) 99947-2544
Instagram: @farofadame
E-mail: [email protected]
Rua Capitão Miguel Ferreira 339A – Vila Mariana | Mococa SP
Carlos Ribeiro é chef de cozinha, pesquisador e colunista do Mesa Completa — entre o dendê, a memória e o pensamento crítico sobre o que servimos ao mundo




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