Mesa Completa - Por Solange Souza

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Viagens • 15 de setembro de 2015

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Duas pousadas em Tiradentes proporcionam uma experiência diferenciada, que vai muito além das atrações mais conhecidas dessa charmosa cidade mineira

Conheci essas duas pousadas na mesma ocasião. Foi em 2011, depois de uma longa viagem de carro, com a fotógrafa Luna Garcia. Nós duas tínhamos a missão de fazer uma matéria sobre as figuras mais marcantes da gastronomia da cidade para a revista Gourmet life. Ficamos hospedadas na Villa Paolucci, pousada lindíssima do Luiz Ney e da Raquel, mas fomos recebidas com um belo jantar pelo casal Wagner Discaciati (chef Delícia) e Du Marcenes, da Calçada São José – Pouso Campestre. No dia seguinte, foi a vez do leitão do Luiz Ney, ao qual me rendi depois de muitos anos sem comer carne de porco. Desde então, tento ir a Tiradentes todo ano e intercalo entre uma pousada e outra.
A Villa Paolucci é uma antiga fazenda e tem todo aquele clima delicioso, com fogão a lenha, café da manhã dos deuses, com pão de queijo, bolos e outros quitutes tentadores. Apesar de ficar bem próxima do centro da cidade, onde se pode ir a pé, é cercada por uma enorme área de mata nativa. E tem o leitão à pururuca, ocasião em que os convidados se reúnem ao ar livre, rodeados pelo maravilhoso cenário, para apreciar a arte de Luiz Ney. Médico ginecologista em São João Del Rey, ele já trouxe muitas crianças da região ao mundo. Além disso, para a alegria dos gourmets, começou a preparar esse prato, que tem vários diferenciais. Um deles é o “pururucador”, inventado por ele, que deixa a pele do leitão crocante e sequinha. A carne, extremamente macia, é resultado de dias em que o leitão fica em uma marinada secreta. Esse prato famoso é preparado nos fins de semana, sob reserva, para um privilegiado grupo.
A Calçada São José fica entre Tiradentes e Bichinho, no sopé da serra de São José, onde há 20 anos funcionou uma escola Waldorf, que pertencia ao suíço Rolf Myr. Em 2002, Wagner comprou a propriedade, que era dividida em salas de pintura, leitura, matemática. Em 2004, ele decidiu transformar o espaço em pousada, depois de algumas reformas, mas mantendo o estilo original. Ele e a esposa Du cuidam da pousada com capricho e fazem jantares para pequenos grupos, com pratos como cordeiro e galinha d’angola. Durante o dia, a grande pedida são as caminhadas para gastar as calorias e eliminar a culpa! A trilha que leva até a serra de São José é incrível, com passagens por uma “calçada” original feita pelos escravos. A paisagem muda de úmida e tropical para um cenário de cerrado, à medida que se aproxima da serra. A vista de lá de cima é espetacular. Outro detalhe interessante é que Wagner é amigo de infância de Luiz Ney e quando tem leitão, muitas vezes ele prepara algumas de suas especialidades, como o feijão tropeiro. Coisas de Minas!


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