A rua Chile, a primeira do Brasil, é um exemplo do que está mudando no Centro Histórico de Salvador. É nela que se encontra o Fera Palace Hotel onde passei três dias com minha filha e meu marido. O prédio dos anos 1930 foi todo restaurado, mantendo muitos dos detalhes originais. Inaugurado em 2017, o hotel é uma viagem no tempo, com decoração que combina art-déco e elementos da cultura baiana. Os quartos, especialmente os que têm vista para o mar, são lindos.
Rooftop do Fera Palace Hotel
Um dos destaques do hotel é o Fera Lounge, no rooftop, que oferece uma vista de tirar o fôlego para a Baía de Todos-os-Santos. Piscina, espreguiçadeiras, comidinhas e drinques completam o clima. Imperdível no pôr do sol!
O Palacete Tira-Chapéu reúne boas opções de restaurantes
A poucos metros do Fera, o recém-inaugurado Palacete Tira-Chapéu contribui para o embelezamento da rua, além de oferecer várias opções de lugares para comer, como o Casaria (de São Paulo), o Preta (o original fica na Ilha dos Frades) e o Pala 7, que tem as mãos do chef francês Claude Troigross. No percurso, alguns prédios decadentes clamam por cuidado.
Com um forte policiamento, o turista anda tranquilo em direção ao Pelourinho, passando pela Praça Castro Alves (à noite, rola música ao vivo na praça e você pode apreciá-la jantando no Cuco Bistrô).
Detalhe da bela arquitetura da Casa de Misericórdia
Contratamos um guia (achei muito bom!), com quem percorremos todo o Centro Histórico, passando pelo Pelourinho, até chegar ao charmoso bairro de Santo Antonio, com muitas igrejas e monumentos no caminho. Imperdível a visita à primeira Casa de Misericórdia do Brasil, com arquitetura belíssima e muita história (detalhes acima). Elevador Lacerda e Mercado Modelo para comprar artesanato também fizeram parte do programa.
Descendo pelo Pelourinho você encontra a Igreja do Rosário dos Pretos, onde acontece às terças-feiras, às 18h, uma cerimônia que combina catolicismo e candomblé ao som de atabaques. Carol e eu assistimos uma parte da “missa”, com a igreja lotada de fiéis e de turistas, muitos deles estrangeiros. Uma celebração festiva e de muito alto-astral, que resume bem o sincretismo religioso. Teve inclusive um canto de “Avisa lá, avisa lá, avisa lá, que eu vou. Avisa lá que eu vou!” Adorei!
Cozinha regada no dendê
Se você não tem restrições ao dendê, alma da cozinha baiana, minha sugestão é um almoço no Dona Mariquita, no Rio Vermelho, dica do meu amigo chef Carlos Ribeiro. Comemos acarajé de entrada, embora exista uma tradição de que o melhor horário para comer a iguaria é depois das quatro da tarde.

Acarajé do Dona Mariquita – foto do Instagram do restaurante
Como prato principal, compartilhamos uma moqueca de peixe e camarões, que estava divina. Tudo no ponto certo, com muito sabor. As caipirinhas são ótimas e faltou apetite (ou resistência) para provar outras delícias que o cardápio oferece. O ambiente é simples, delicioso de estar.
Existe também em Salvador um movimento de jovens profissionais que praticam uma cozinha moderna, com menu-degustação, caso do premiado Origem, dos chefs Fabrício Lemos e Lisiane Arouca. Os dois tocam ainda o Megiro, boteco que me pareceu interessante, mas não conheci por falta de tempo.
Para quem quer unir beleza e gastronomia, a dica é o Amado, do chef Edinho Engel, restaurante que fica à beira da Baía de Todos-os-Santos e que tem uma vista maravilhosa.
Fotos: Solange Souza e Carol Stauch





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