Nas mesclas de cozinha da cidade de São Paulo, uma das mais populares foi a chinesa, que durante muito tempo teve seu apogeu em restaurantes tradicionais, grandes, com mesas que giravam em torno das famílias, que se sentavam para saborear em grupo o enorme cardápio. Hoje, essas casas estão um pouco esquecidas e a cozinha chinesa quase se resume ao “ligue e peça pelo telefone”.
No entanto, alguns deles sobreviveram, como é o caso do Taizan, que celebra 47 anos de sucesso (o nome do restaurante quer dizer ‘montanha muito alta, onde os chineses faziam peregrinação em busca de atingir seus objetivos e seu sucesso’). Sua história começa com o Sr. Kaoru Yusa (in memorian), japonês que desembarcou em São Paulo e teve seu primeiro trabalho no extinto restaurante Sino Brasileiro, onde ficou por 15 longos anos. Depois disso, ele abre o Taizan, na rua São Joaquim com Galvão Bueno, com a esposa Fumiyo Yusa, e lá começam em uma portinha com 30 cadeiras. “Eu era garçonete, faxineira, caixa, era tudo! Começamos sem nenhum tostão no bolso, só com dívidas, mas pagamos tudo e hoje o local é nosso”, conta ela, com um sorriso de boas lembranças e saudades daquele tempo. Que lindo poder ouvir isso de uma pessoa que ainda trabalha, aos 77 anos de idade, e com a mesma disposição de sempre! E ela faz questão de cumprimentar os clientes mesa por mesa, já que muitos deles ela conhece de fato e conversam como velhos compadres.
Voltando à história, eles permanecem por três anos nesse endereço e mudam, depois, para o local onde até hoje está o restaurante, na Galvão Bueno, 554. Já fui muito lá e já falei do Taizan para várias pessoas, que também ficaram fãs. É um desses lugares que fazem parte da memória afetiva de muitos paulistanos e de pessoas que vêm de outras cidades e estados do Brasil. Hoje, o restaurante é comandado por dona Fumiyo Yusa, que conta também com o apoio de suas duas filhas, Marcia Yusa e Elisa Yusa.
Além da rica cozinha e do tamanho do lugar, que é muito grande, outras tradições permanecem: mâitre e garçons uniformizados, sala de espera sempre bem cuidada, com arranjos de flores naturais, refrigerantes em garrafinhas, banheiros impecáveis (esse é um dos xodós de Dona Fumiyo). No fim da refeição, as famosas balinhas que ficam na porta de saída, onde geralmente a dona Fumiyo está, não comendo as balinhas, mas esperando os clientes para agradecer. E todo mundo faz a festa com essas balinhas, que também fazem parte dos mimos da casa.
Geralmente, os cardápios de restaurantes chineses são muito extensos – no Taizan são mais de 100, incluindo as sobremesas – e os pratos, em sua maioria, são comandados pelo garçom por número. A receita de hoje é a de número 35, o Lombo Suíno com Alho, que era a favorita do nosso chef Sr. Kaouro Yusa e hoje é a preferida de Marcia Yusa.
Hoje, como não poderia ser diferente, dedico esta coluna à família Yusa e a toda a brigada do Taizan.
Restaurante Taizan
Rua Galvão Bueno, 554 – Liberdade, São Paulo – SP
(11) 3277-8550
Delivery (11) 3277 4073 – cardápio no site
Lombo com Alho
Ingredientes
- 500 g de lombo
- 1 pimentão vermelho
- 1 pimentão verde
- 4 ramos de salsão
Molho
- 6 colheres (sopa) de molho shoyu
- sal a gosto
- 2 dentes de alho picados
- amido de milho
- caldo de frango (cozinhe a carcaça do frango e use apenas a água do cozimento)
- óleo
1. Corte o lombo, o salsão e os pimentões em tiras de cerca de 2,5 cm. Misture os pedaços de lombo com o amido de milho e mergulhe-os em óleo quente, até que cozinhem por dentro. Retire e reserve.
2. No mesmo óleo, frite os legumes (ao dente). Retire e reserve.
3. Em outra panela, coloque um fio de óleo e frite o alho picado. Em seguida, coloque o shoyu, o sal e o caldo de galinha. Para engrossar, dissolva um pouco de amido de milho na água e coloque na panela. Assim que levantar fervura, coloque todos os ingredientes, misture e sirva.
Na Cozinha Restaurante e Escola de Culinária
Rua Haddock Lobo, 955 – Jardins
Telefones: (11) 3063-5377 e 3063-5374



Parabéns pela reportagem!
Parabéns a família Yusa!
Obrigada pelos elogios! A família Yusa merece.
Frequentei o Taiwan desde comecei a namorar com minha querida esposa Neuza Okamoto, filha de pai japonês, Kazuo Okamoto, de mãe brasileira, Ester da Silva Okamoto. Íamos todas as semanas no Taisan, onde meus três filhos aprenderam as delícias da culinária chinesa. Ficamos surpresos com o fechamento do Taisan, e gostaríamos de saber para onde foram os cozinheiros, para que possamos, talvez, ir onde eles estão atualmente. Obrigado
Olá Alvaro, Uma pena mesmo ter fechado… Não conheço o destino dos que trabalhavam lá, mas se eu descobrir, informo você.