Mesa Completa - Por Solange Souza

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    Colunistas • 16 de janeiro de 2026

    A cozinha como caminho

    Bruno Freitas encontrou na gastronomia uma forma de expressão e criou o prato Amada Paraíba para homenagear sua nova morada – Carlos Ribeiro

    Bruno Freitas nasceu em Brazlândia, no Distrito Federal. Filho de dona Malvina e de seu Aparecido, aos 37 anos é casado, pai de cinco filhos, e carrega na rotina a compreensão de que cozinhar também é sustentar, cuidar e seguir adiante.

    Sua trajetória na gastronomia começou como a de muitos profissionais que constroem caminhos sólidos: pela base da cozinha. Limpando, lavando, fazendo pia. Foi nesse ambiente que surgiu o desejo não apenas de crescer, mas de entender. A primeira lição técnica marcante veio com um molho branco, ensinado pelo chef Piovan, que revelou a Bruno a lógica da transformação culinária — uma base que se desdobra em outras, um gesto que exige conhecimento, atenção e respeito.

    Durante um período, acreditou ter mais vocação para o comércio do que para a cozinha. Com o tempo, entendeu que os dois mundos caminham juntos. Um bom cozinheiro precisa também ser um bom gestor, capaz de sustentar ideias, pessoas e negócios. Esse entendimento moldou seu olhar empreendedor.

    Inquieto, buscou outros saberes e encontrou na jardinagem e no paisagismo equilíbrio e sustento. Terra e fogo nunca se afastaram em sua história; ao contrário, se completaram. A cozinha permaneceu como eixo central, alimentada pela fé, pelo afeto e pelo bem-estar.

    Mungunzá, receita típica do nordeste feita com milho, que ganha um toque de brigadeiro de capim santo

    A mudança para João Pessoa marcou um ponto decisivo. Na capital paraibana, abriu seu restaurante de forma ousada, com um cardápio inicialmente extenso, que mais tarde foi ajustado com maturidade. Hoje, o menu reflete identidade e experiência. Em agradecimento à Paraíba, criou o prato Amada Paraíba, que permanece no cardápio como expressão de pertencimento, reunindo carne de sol, manteiga de garrafa, queijo coalho e castanha de caju.

    Mais do que pratos, Bruno constrói vínculos. Pensando no pai, seu Teodoro, idealizou um concurso interno de polenta — ou angu — que resultou na criação da polenta de dona Valdete, servida até hoje no restaurante. Um gesto simples, mas carregado de memória e reconhecimento.

    Atuando também em serviços de hotelaria, Bruno seguiu expandindo seus caminhos. Hoje, mantém duas hamburguerias, uma loja de conveniência e prepara a chegada de um food truck, com planos claros de crescimento. Ainda assim, segue atento ao detalhe, à escuta e à correção diária — princípio que orienta sua cozinha.

    Bruno Freitas encontrou na gastronomia um espaço de expressão, trabalho e responsabilidade. Empreende, gera empregos, valoriza o regionalismo e projeta o futuro com os pés firmes no presente.

    Essa relação entre território, afeto e técnica se materializa de forma clara em um dos pratos mais emblemáticos de Bruno Freitas. Inspirado pela gratidão à Paraíba e pelo respeito aos seus ingredientes fundadores, o Risoto Amada Paraíba traduz em textura, aroma e sabor a essência de sua cozinha: base clássica, execução precisa e identidade regional bem marcada. A seguir, a receita que leva esse conceito do discurso ao prato.

    Risoto Amada Paraíba

    Ingredientes

    • 1 xícara de arroz arborio (ou carnaroli)
    • 1/2 cebola picada
    • 2 colheres (sopa) de manteiga
    • 1 colher (sopa) de azeite
    • 1/2 xícara de vinho branco seco
    • 1 litro de caldo de legumes ou frango (quente)
    • 1/2 xícara de queijo parmesão ralado
    • 120 g de carne de sol cortada em cubos
    • manteiga de garrafa
    • 30 g de castanha de caju
    • sal e pimenta-do-reino a gosto

    Modo de preparo

    1. Em uma panela, aqueça o azeite com 1 colher de manteiga e refogue a cebola até ficar transparente. Acrescente o arroz (sem lavar) e mexa por 1 minuto. Adicione o vinho branco e mexa até evaporar o álcool.
    2. Comece a acrescentar o caldo quente, uma concha por vez, mexendo sempre. Quando o líquido quase secar, adicione mais caldo e o parmesão. 
    3. Acrescente a de carne de sol cortada em cubos previamente salteada na manteiga de garrafa, acerte o sal e junte a pimenta-do-reino. Complete com a castanha de caju.
    4. Sirva o risoto com os cubos de carne de sol por cima e um fio de melaço.

    Os chefs Carlos Ribeiro e Bruno Freitas, em João Pessoa


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