Há diferentes caminhos que levam à Fazenda Mutum, partindo de Pirenópolis (GO), e nossos anfitriões Daniela e Alexandre Kafuri escolheram o da aventura: estradinha de terra, com passagens por riachos… Minha expectativa era de um dia de sol escaldante e muito calor, mas a névoa, a temperatura de 18 °C e a chuva constante pareciam desmentir que eu estava em Goiás em pleno janeiro. Por fim, agradeci a escolha do percurso difícil e sacolejante que me presenteou com paisagens lindas durante quase duas horas.
Chegamos à fazenda e começamos a avistar os curraleiros espalhados por toda parte. Sempre fico com um pouco de pena quando vejo o bicho vivo e sei que um churrasco me espera, mas o consolo é que no caso dessa raça o abate ocorre com mais de quatro anos de idade (odeio os “infanticídios gastronômicos”, expressão que aprendi com um novo amigo de Pirenópolis).
Por trás do projeto do curraleiro pé duro, que teve início em 2013-14, está o biólogo Cláudio Mendonça que decidiu trocar a produção de gado convencional por essa raça, trazida pelos portugueses, que segundo ele é um patrimônio genético exclusivamente brasileiro.
O boi é criado solto, em meio à natureza
O complemento “pé duro” se deve ao fato de o casco do curraleiro ser resistente para se adaptar ao Cerrado. “Uma raça rara, quase em extinção, com crescimento natural, pastagem nativa e abate com 4 anos a 4 anos e meio. Um gado tirado do mato”, me explicou Cláudio, que compara o curraleiro pé duro ao frango caipira, pela forma como é criado.
A primeira vez que provei a carne de curraleiro foi na casa de amigos em Belo Horizonte, em 2024. No mesmo ano, visitei Pirenópolis e participei de um almoço no Maiale (veja abaixo), restaurante fundado por Alexandre e Daniela Kafuri e Sérgio e Simone Araújo, que hoje tem entre os sócios Cláudio Mendonça e seu irmão, Pablo, que gentilmente nos recebeu na fazenda.
Além de gado, é criado na fazenda Mutum o porco preto, usado para produzir algumas iguarias da charcutaria, como speck e salame, em escala ainda pequena.
O diferencial da carne do curraleiro é o marmoreio, o que faz com que seja macia, suculenta e muito saborosa. A produção é pequena e, por este motivo, a carne só é encontrada em alguns restaurantes, mas já começa a cair no gosto de vários chefs.
Onde provar carne de curraleiro pé duro:
São Paulo:
• Osso – Chef Renzo Garibaldi
• Cor Gastronomia – Chef Mariana Lessa
• Shihoma – Chef Márcio Shihomatsu
• Tordesilhas – Chef Mara Salles
• Cepa – Chef Lucas Bortoluci
• Evvai – Chef Luiz Felipe Souza
• Mocotó – Chef Rodrigo Oliveira
• Clandestina – Chef Bel Coelho
Belo Horizonte:
• Pacato – Chef Caio Soter
• Cozinha Santo Antônio – Chef Juliana Duarte
Pirenópolis:
• Maiale
Goiânia:
• Hops Cervejaria
• Enttres Cocina de Mescla – Chef Ian Baiocchi
• Cucina Mia – Chef Claude Troisgros
Brasília:
• Almería – Chef Diego Moraes
• Ricco Burguer – Ricardo Sechis
Rio de Janeiro:
•Malta Beef Club – Marcelo Malta




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