Mesa Completa - Por Solange Souza

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    Viagens • 19 de novembro de 2025

    Ilha da Madeira

    Um giro por Funchal, a capital da Ilha da Madeira, com paisagem impactante, gastronomia rica e vinhos únicos

    Uma imensidão de mar azul e pousamos no aeroporto de Funchal, partindo de Lisboa, em um voo de cerca de uma hora e meia. Por sorte não ventava muito e a aterrissagem foi tranquila. Nosso guia, o Sr. Mário, já estava à nossa espera para nos levar aos principais miradouros, começando pelo Cristo Rei de braços abertos para o oceano, que fica bem próximo do aeroporto. Que vista!

    Vista do Curral das Freiras

    De lá, fizemos uma rápida parada em nosso hotel, apenas para deixar as bagagens, e seguimos para o miradouro do Curral das Freiras, de onde se tem uma vista espetacular. Casinhas penduradas em declives nos fazem pensar como terá sido difícil a vida num passado sem recursos.

    No Mercado dos Lavradores, grande variedade de frutas e legumes

    Ficamos hospedados no Barceló Funchal Oldtown, bonito e confortável, com uma localização perfeita. Dava para fazer muita coisa a pé, como ir ao Mercado dos Lavradores ou visitar a Catedral, cujo teto espetacular foi reformado recentemente. Fizemos ainda caminhadas, com vista o tempo todo, passando por jardins muito bem cuidados.

    A rica gastronomia

    Bolo do Caco, servido com manteiga de alho ou em sanduíches

    Nossa primeira refeição na Madeira foi um Prego no Bolo do Caco, no Mercado dos Lavradores. Prego é aquele bife grelhado típico da cozinha portuguesa, servido no prato ou em sanduíches. O bolo do caco, descobrimos depois, é na verdade um pão neutro, feito com farinha de trigo e batata-doce cozida (que na Ilha da Madeira é muito mais macia e nada fibrosa). A origem do nome se deve ao fato de que esse pão, antigamente, era feito numa pedra (caco) sobre brasas. O bolo do caco é também servido quentinho com manteiga de alho no couvert de restaurantes. Delícia!

    Peixe-espada preto, uma das iguarias da Ilha da Madeira

    Há uma grande variedade de peixes, incluindo o exótico peixe-espada preto, e frutos do mar muito frescos, além de frutas (há bananeiras espalhadas nas encostas por toda a cidade) e legumes. Um passeio pelo Mercado dos Lavradores pode dar uma boa ideia, mas a melhor forma mesmo é desfrutar os ingredientes no prato.

    Tivemos duas experiências gastronômicas interessantes. Um jantar no Audax, de cozinha moderna e ingredientes locais, onde fizemos um menu harmonizado com vinho Madeira de diferentes estilos; e no Avista, de onde se tem, como sugere o nome, uma vista incrível (a dica é chegar no finalzinho da tarde para aproveitar mais).

    Comemos também as espetadas, outra especialidade da ilha, no restaurante Vila da Carne. A carne saborosa e suculenta foi acompanhada de batata-doce cozida e milho frito, semelhante à nossa polenta frita.

    Os vinhos da Ilha da Madeira
    São produzidos brancos, rosés e tintos, mas a estrela é mesmo o Madeira fortificado nos seus diversos estilos: Seco (que também é levemente doce), Meio-seco, Meio-doce, Doce, com diferentes tempos de envelhecimento (5 anos, 10 anos, 20 anos… mais de 50 anos), Colheita (de um ano especifico) e Frasqueira (Colheitas com mais de 30 anos), o mais valorizado de todos. É complicado, mas não precisa entender, basta se deliciar com uma taça deste vinho rico, que faz salivar pelo frescor, mesmo nos mais doces.

    A nova linha da Justino’s, uma das empresas mais antigas da Ilha da Madeira

    Visitamos a Justino’s, empresa fundada em 1870, uma das mais antigas da Ilha da Madeira, onde provamos muita coisa da nova linha Justino’s Projects, apresentada pelo enólogo Nuno Duarte: brancos, rosés e tintos produzidos a partir de pequenas parcelas de vinhedos, além de uma ampla gama de vinho Madeira. A sala de barricas, onde são guardados vinhos muito antigos, é impressionante, mas é em cada taça que se descobre vinho após vinho o diferencial desse projeto.

    Para quem deseja provar (e comprar) vinhos da Madeira em Funchal, o ideal é a D’Oliveiras, de fácil acesso, onde há uma ampla variedade de estilos.

    Diferente do que é indicado para os demais vinhos, o Madeira deve ser armazenado de pé e a garrafa, depois de aberta, resiste bem ao tempo


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