Mesa Completa - Por Solange Souza

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    Viagens • 6 de novembro de 2025

    Três dias no Alentejo

    Partindo de Évora pude explorar os pontos turísticos, a rica gastronomia e conhecer a Lobo de Vasconcellos Wines, o ponto alto da viagem

    O Alentejo tem uma paisagem peculiar, com amplas planícies rodeadas de oliveiras e sobreiros (que produzem as cortiças). Com agricultura e pecuária fortes, a região é famosa também pela produção de vinhos.

    Passei três dias baseada em Évora, mas o objetivo principal da viagem era conhecer a Lobo de Vascondellos Wines, projeto pessoal do enólogo Manuel Lobo de Vasconcellos nas terras da sua família. Aproveitei também para explorar a cidade, visitando a Catedral da Sé, de onde se tem uma linda vista, a praça do Giraldo e, claro, rever a aterrorizante Capela dos Ossos (na porta de entrada a frase “Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”, já assusta).

    Catedral da Sé, em Évora – bela arquitetura e uma linda vista da cidade

    Da primeira vez em que estive em Évora, há uns 15 anos, guardo na lembrança uma saborosa sopa de peixe com hortelã da ribeira, as azeitonas frescas de sabor único e a carne do porco preto alentejano, de sabor diferenciado pelo fato de o animal se alimentar de belotas, um tipo de castanha. Com as dicas de Manuel Lobo, pudemos aproveitar tudo isso novamente e outras delícias da culinária local, que compartilho com vocês neste post.

    A rica gastronomia
    Há um costume no Alentejo de servir algumas comidinhas para “picar” antes do prato principal: azeitonas na salmoura (imperdíveis), queijos, embutidos de porco preto e pães, além de tigelinhas que podem conter salada de bacalhau com grão-de-bico, coelho desfiado no azeite, cogumelos e outras delícias.

    Sopa de cação com batatas e ervas

    Uma das especialidades da região é a sopa de peixe, que mencionei acima. No almoço servido na Lobo de Vasconcellos, pude voltar a sentir este sabor na sopa de cação, feita com um caldo do próprio peixe, batatas e ervas frescas. É tradição colocar no fundo do prato pedacinhos crocantes de pão, antes de servir a sopa. A carne do cação é bem branca e delicada, diferente do que encontramos no Brasil.

    Évora oferece uma ótima seleção de restaurantes, que se esmeram para mostrar os ingredientes tradicionais da região. Aqui, os nossos favoritos:

    Luar de Janeiro – uma casa simpática, onde os locais costumam comer. A seleção de entradinhas estava excelente e o arroz de tamboril com camarão, maravilhoso.

    Café Alentejo – casa muito tradicional, com quase 30 anos de existência. Os pratos têm aquele toque de comida caseira. Aqui fomos nas carnes: rabo de boi cozido lentamente no vinho tinto, o que deixa a carne desfiando, e porco preto alentejano, acompanhados de preparações típicas como miga (feita com pão).

    Taberna Sal Grosso – ambiente bastante informal, com boa comida. Comemos raia alhada com batatas, muito saborosa e arroz doce de sobremesa. Excelentes!

    Doces conventuais

    Pastel de Santa Clara 

    Onde quer que você vá, os doces conventuais estão presentes, mas é nas mãos de Maria Ercília Zambujo (foto abaixo), da Pastelaria Conventual Pão de Rala, que eles ganham delicadeza. O lugar acolhedor oferece uma variedade desses doces, incluindo o que dá nome à esta casa com 30 anos de tradição, o Pão de Rala, que é feito com chila, uma fruta que lembra a abóbora.

    Os doces são deliciosos e com menos açúcar do que os tradicionais. Segundo a sábia Maria Ercília, o excesso de açúcar mascara o sabor dos demais ingredientes. Adorei conhecer este lugar e esta senhora, que faz um trabalho lindo.

    Visita à Lobo de Vasconcellos
    Um dos grandes enólogos de Portugal (ele é enólogo da Quinta do Crasto, no Douro, há mais de 20 anos), Manuel Lobo de Vasconcellos decidiu assumir as imensas propriedades da família no Alentejo, onde já existiam alguns vinhedos, além de gado e oliveiras.

    Diogo e Joana, da equipe de enologia, com Manuel Lobo de Vasconcellos

    A partir de um trabalho muito detalhado de estudo do solo, que teve início em 2014, ele foi escolhendo o local ideal para plantar cada variedade de uva e reestruturando os vinhedos mais antigos. O resultado se vê em cada taça de seus brancos e tintos, que trazem um frescor pouco encontrado em vinhos dessa região.

    Manuel produz ainda dois vinhos no Douro, região que ele conhece muito bem. Em anos excepcionais, é feito o Vinhas do Norte (a primeira safra foi a 2019, que está sendo comercializada agora) e nos demais anos, o Matriz (a primeira safra foi a 2020, que deve chegar em breve no Brasil).

    Os vinhos da Lobo de Vasconcellos são importados pela PREM1UM WINES.


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