Mesa Completa - Por Solange Souza

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Colunistas • 7 de dezembro de 2016

Uvas portuguesas

Quer sair da mesmice? Experimente brancos de Alvarinho ou Encruzado e tintos de Touriga Nacional ou Baga – Gerson Lopes

brancoetinto

Portugal tem um dos mais ricos patrimônios em termos de variedade de uvas. Só isso já seria suficiente para proporcionar ao amante dessa bebida o prazer de degustar diferentes vinhos, saindo um pouco da mesmice dos brancos produzidos com Sauvignon Blanc e Chardonnay e tintos de Cabernet Sauvignon e Merlot. Para completar, esse país passou por uma evolução fantástica nos últimos 20 anos, graças à qualidade das suas uvas tradicionais ou autóctones (típicas de uma região), produzindo vinhos de ótima relação qualidade-preço.

Não há como deixar de se encantar pelos bons vinhos à base das boas castas brancas autóctones como Antão Vaz, Arinto, Encruzado, Bical, Alvarinho e Fernão Pires, dentre outras, assim como as tintas, também autóctones, Touriga Nacional (considerada por muitos como a uva emblemática de Portugal), Alfrocheiro, Jaen, Castelão (antes chamada de Periquita), Baga, Trincadeira, além da conhecida Aragonês (nome no Alentejo) ou Tinta Roriz (como é conhecida no Douro), a mesma Tempranillo espanhola. Há espaço (pequeno) também para as francesas, quase universais: Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Alicante Bouschet e Pinot Noir (tintas) e a branca Chardonnay, porém quase sempre estão presentes em assemblages (cortes).

Há ainda uvas com nomes exóticos como Rabigato, Manteudo, Viosinho, Carão de Moça, Dedo de Luva, Esganinho, Folgazão, Pintosa, Generosa, Rabo de Ovelha, Tinto Cão

Qualquer amante de um bom vinho ficará seduzido pelos aromas de frutas vermelhas (mais azedinha) da Castelão, a fruta delicada da Aragonês, que também dá corpo ao vinho, e o toque floral da Touriga Nacional (responsável também pelo “músculo” do vinho). Essa uva realmente se mostra muito apelativa ao consumidor: produz vinhos fáceis de serem degustados, de caráter frutado (cereja) e toques de violetas (mais fresco no Dão que no Douro), sem falar de sua incrível presença de boca.

E o que dizer da cor linda e intensa da Alicante Bouschet (que também dá estrutura ao vinho), do aroma de jabuticaba da Alfrocheiro e do toque de tabaco da Trincadeira? Sobre os tintos de Baga, uva da Bairrada, costuma-se dizer que quando jovens são tânicos como os produzidos com a Nebbiolo, do Piemonte, e quando velhos se tornam parecidos com Pinot Noir. A mineralidade da uva europeia (na maioria das vezes, não encontrada em tintos do Novo Mundo) está também presente em todo o seu esplendor.

No território dos vinhos brancos, destaques para a Alvarinho, uma das melhores uvas brancas portuguesas, pelos seus aromas cítricos, frescor e elegância; a Antão Vaz (pelos aromas tropicais), Arinto (pelo frescor), Fernão Pires (pelo herbáceo), as duas últimas com algumas semelhanças com a Riesling e a Sauvignon Blanc, respectivamente. Produzindo bons vinhos de grande potencial de envelhecimento, destaco ainda as brancas Encruzado (Dão) e Bical (Bairrada).

No terreno dos fortificados, destacaria os vinhos com a Moscatel (Setúbal), em que os bons exemplares cativam com seus aromas de flor de laranjeira, frutas secas e sabor macio, doce e ao mesmo tempo fresco, e os famosos vinhos do Porto, em que se utilizam misturas de castas (Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Tinta Cão e Touriga Francesa) que o tornam inimitável. Embora na Ilha da Madeira existam mais de 30 uvas diferentes, as brancas mais nobres são a Malvasia, Boal (ou Malvasia Fina), Verdelho (ou Gouveio), Sercial (ou Esgana-Cão), e Terrantez (ou Folgazão). Entre as tintas, o destaque é a Negra Mole (cruzamento de Pinot Noir e Grenache), mais pelo fato de ser a uva vinífera mais plantada na região. Um grande vinho Madeira é inesquecível!

Qualidade e diversidade caracterizam a enologia de Portugal. É só aprender a garimpar, pois os vinhos desse país, de um modo geral, têm excelência na relação qualidade-preço. Portanto, agora que você conhece as uvas da terrinha, por que não ir às compras?

Gerson

Gerson Lopes é médico mineiro com atuação em sexologia e acredita que
a vida é o melhor afrodisíaco.
Criador do site Vinho e Sexualidade


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