Mesa Completa - Por Solange Souza

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ExperiênciasVinhos e etc • 5 de setembro de 2017

Quinta do Infantado

Um vinho que conta histórias se torna ainda mais mágico. Foi o que aconteceu ao visitar João Roseira, no Douro

Para chegar à Quinta do Infantado, que fica na margem direita do Douro, percorre-se estradinhas estreitas, com uma vista espetacular. João Roseira, um dos proprietários e o responsável pela produção, nos recebeu numa manhã ensolarada de verão, usando bermudas, camisa e descalço. Gostei dele de cara!

Passamos a tarde toda na vinícola, onde tivemos um almoço delicioso, com uma vista linda dos vinhedos. Estavam também a enóloga, Fatima Ribas, e o sobrinho de João, Alvaro. Foram horas muito agradáveis, com visita aos vinhedos e à adega, onde repousam as joias da Quinta do Infantado, os vinhos do Porto.

InfantadoDonaMargarida

Já conhecia alguns desses Portos e um dos meus favoritos é o Reserva Tawny Dona Margarida, um vinho delicioso, não muito doce, mas bastante rico. Descobri nessa visita, que o nome presta homenagem à avó de João, Dona Margarida, que ficou viúva jovem, com três filhos para criar. “Minha avó foi uma espécie de Dona Antónia (Antónia Ferreira, que também ficou viúva jovem e se transformou numa figura importante para o vinho do Porto). Conseguiu dar curso superior aos três filhos e não só não foi a falência como comprou mais vinhas”, contou ele.

Os vinhos do Porto da Quinta do Infantado são menos doces do que os demais, pelo fato de terem uma fermentação mais longa. “Não temos de juntar tanta aguardente, o que diminui a sensação do álcool inicial. É mais vinho e menos álcool”, comentou João ao nos mostrar a máquina de pisar.

Durante nossa visita, provamos também os vinhos de mesa da Quinta do Infantado, os chamados vinhos do Douro (não disponíveis no Brasil). Entre eles, um tinto que leva o nome da família no rótulo. O Roseira 2011 é um corte de Touriga Nacional e Touriga Franca, de estilo mais moderno, bem gostoso. O rótulo foi criado pelo filho de João, Gustavo, que é designer.

Roseira2011

Durante nossas conversas, percebi que João falava algumas gírias brasileiras, como “cara”. Apaixonado pelo nosso país, pela língua e pela música brasileira, ele confessou que nunca esteve aqui. “Tenho medo de ir ao Brasil e não voltar nunca mais…”, disse sorrindo.

Para entender os tipos de Porto, segundo João Roseira:

Ruby quer dizer vermelho vivo, “porque o vinho é engarrafado muito jovem, quando ainda está muito vermelho”. As melhores safras dão os Vintages, que podem ser guardados por 50 anos ou mais. O Ruby ou Ruby Reserva tem frescor e não tem oxidação.

Tawny – um vinho com oxidação (quatro anos e meio ou cinco anos) – “São mais complexos e isso vem da oxidação.”

Reserva Dona Margarida – um Tawny de sete anos.

Colheita – é um Tawny de um safra só e não pode ser engarrafado antes de sete anos.

Porto Branco – “Tem o frescor de um Ruby e o oxidado de um Tawny.” Segundo João, um bom vinho para acompanhar uma sopa de melão, com azeite, sal, pimenta-do-reino e hortelã, no verão.

Algumas curiosidades sobre a Quinta do Infantado:

– Um dos edifícios onde era feita a produção data de 1816 e pertenceu ao Infante D. Pedro IV (nosso D. Pedro I), origem do nome Infantado.

– A propriedade foi adquirida em 1904 por João Lopes Roseira, avô de João Roseira.

– A Quinta do Infantado foi pioneira na venda dos primeiros Portos engarrafados no Douro, na propriedade – vinhos do Porto de Quinta –, em 1979, deixando de vender a empresas de Vila Nova de Gaia, o que representou o fim do monopólio dessas empresas.

Os vinhos do Porto da Quinta do Infantado são importados pela Premium Wines.

 

 

 


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