Mesa Completa - Por Solange Souza

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ExperiênciasVinhos e etc • 14 de setembro de 2015

Philippe de Nicolay-Rothschild

Esse carismático empresário de Bordeaux conta porque decidiu se mudar para o Brasil e quais os planos para sua importadora, a PNR Import 

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No fim de 2009, Philippe de Nicolay-Rothschild, que carrega um sobrenome com longa tradição nas atividades bancárias e no mundo do vinho, decidiu mudar-se para o Brasil, deixando os negócios no banco da família na França, onde trabalhava. “Foi a pior crise da França, então eu fiz a seguinte análise: o Brasil não é um país do futuro. É um país para já. Tem uma força aqui, de criação, de vontade, que não existe mais na França”, contou ele. Escolheu viver em São Paulo, onde criou a PNR Import, em 2013, com a proposta de cuidar da importação, distribuição e divulgação dos vinhos do grupo Lafite-Rothschild (uma ramificação da família Rothschild) e dos Champagnes Barons de Rothschild (joint venture formada pelas três ramificações da família), a preços mais acessíveis. Num futuro próximo, ele pretende ampliar os negócios da PNR e trazer outros vinhos europeus de diferentes regiões da França, da Itália e da Espanha. Durante um almoço no restaurante Freddy, em São Paulo, ele me concedeu esta entrevista.

O que o motivou a se mudar para o Brasil?
Chance. Eu tinha ligações familiares com o Brasil, muito antigas. Em 2006, fui para o Clube Med de Trancoso e me apaixonei pelo lugar. Comprei dois terrenos lá, mas demorou dois anos para a aprovação do projeto. A construção começou no início de 2009 e abri a casa em 22 de dezembro desse mesmo ano. Nesse período, fiz quatro viagens para São Paulo para comprar móveis, louça e tudo o mais. Durante essas viagens, gostei da cidade, gostei das pessoas.

Como você encara a crise brasileira atual para o consumo do vinho?
Em tempos de crise, o povo não para de comprar, mas compra o menos caro. Além disso, o vinho eleva o espírito. É o momento também de descobrir novas regiões da França, que tem bons vinhos a preços mais acessíveis.

Qual a sua percepção do consumidor brasileiro de vinhos?
No geral, o paladar brasileiro é decorrente da descoberta (dos vinhos) da América do Sul. Ele gosta de um vinho mais floral, mais macio, mais redondo, com taninos mais maduros. Os grandes vinhos de Bordeaux têm mais Cabernet Sauvignon, são mais fechados, mais duros e precisam de muito mais tempo para amadurecer. E o brasileiro não tem muita paciência; ele compra e quer beber. Assim, os vinhos de Saint-Émilion e Pomerol são mais procurados do que os de Pouillac e Saint-Estèphe… Quando o mercado é novo, tem esta tendência de seguir o nome, a pontuação.O brasileiro precisa fazer um pequeno esforço e acreditar em outras coisas que ele não conhece. Para mim o que importa é o paladar, um vinho que pode ser fantástico para você não é para mim. Eu respeito isso.

Que dica você daria para se compor uma adega?
Comprar mais cedo a um preço melhor e guardar até que o vinho esteja pronto, sendo 60% para o futuro e 40% para agora. Comprar um dos melhores vinhos de Bordeaux e beber agora é um crime. Mas se você espera, não vai achar ou o preço vai ser absurdo. Os segundos rótulos dos melhores vinhos são o melhor custo benefício do mundo, porque são 70% da qualidade do Grand Vin e 25% do custo. Isso é uma aproximação. Infelizmente, hoje tem um monte de gente que sabe isso, então falta vinho. Outra coisa que tem uma influência forte é a safra. Desde 2009 e 2010 não tinha safra excepcional em Bordeaux. Todo mundo lá está rezando para que 2015 seja muito bom.

Qual seu destino favorito de viagem?
Salvador, na Bahia. Rio de Janeiro é um sonho como turista, com uma paisagem que nunca cansa. Fora isso, estou descobrindo o Brasil aos poucos. Gostei muito de Campos de Jordão, em São Paulo, e para beber vinho é muito bom. Fora do Brasil, Bordeaux, Lafite, mais precisamente. O lugar é maravilhoso. Jogo golfe e tem dois campos fantásticos e a comida é superior. E os vinhos, que fazem parte do meu sangue.

Um prato favorito
Tournedos Rossini, mal passado; carne sempre mal passada. Adoro peixe, mas cru; adoro comida japonesa. E uma boa feijoada é uma delícia, mas toma seu tempo. É um ritual de três horas.

O que sente falta da França
A baguete. Não tem um lugar no mundo onde o pão é melhor que na França. Uma baguete às 7h30 da manhã em Paris, com café com leite, com manteiga que vem da Normandia. É uma coisa que não existe em outro lugar.

Suas regiões favoritas para vinhos fora Bordeaux
Os grandes vinhos brancos da Borgonha são imbatíveis. Ninguém e nada chega perto. Gosto muito também de Rioja (Espanha), que tem vinhos fantásticos.

 


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