Mesa Completa - Por Solange Souza

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ExperiênciasVinhos e etc • 12 de julho de 2017

Doença da rolha

Você já ouviu falar em bouchonné, um dos mais temidos defeitos do vinho? Este é o grande desafio dos produtores de rolha

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Imagine abrir aquela esperada garrafa de vinho e se deparar com aromas de mofo e de pano molhado… Esta característica, que constitui um dos mais temidos defeitos do vinho, recebe o nome em francês de bouchonné (bouchon é rolha em francês) e se deve à presença do TCA – Tricloroanisol.

As indústrias de cortiça têm investido pesadamente no controle do TCA, a fim de garantir lotes de rolhas próximos da perfeição. No Grupo Amorim foi criado no ano 2000 um departamento de pesquisa para resolver este problema. Para produzir a rolha NDtech esta empresa investiu 10 milhões de euros. São rolhas naturais analisadas individualmente para eliminar o risco do TCA. Visitamos o departamento de controle da Amorim, que envolve 25 jovens engenheiros. Eles trabalham em turnos de 12 horas por dia, durante 4 dias e folgam por 4 dias. As rolhas são separadas em grupos, sendo o grupo 1 com rolhas 100% sem TCA. Somente grandes vinhos podem se dar ao luxo de usar esse tipo de rolha, que é extremamente cara.

Na Lafitte, outra empresa que visitamos, também é feito um detalhado controle nas rolhas naturais. Nesses locais, nem era permitido fazer fotos, já que os métodos e os equipamentos de alta tecnologia são mantidos em segredo.

Nem sempre a culpa é da rolha. Joana Mesquita, responsável pelas áreas de relações públicas e comunicação corporativa do grupo Amorim no setor de rolhas, brincou: “Somos o mordomo, mas nem sempre a culpa é nossa”. O vinho pode ter outros problemas na produção que podem gerar aromas desagradáveis. Da próxima vez que abrir seu vinho, preste atenção se apresentar esses aromas. Torço para que não tenha!

Foto cedida pela Apcor – Associação Portuguesa da Cortiça –, que me convidou para conhecer a produção de cortiça e de rolhas em Portugal

 


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