Mesa Completa - Por Solange Souza

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Colunistas • 26 de julho de 2016

Chianti e seus estilos

Um dos mais conhecidos vinhos do mundo exibe uma nova característica: pode ser um vinho de guarda – Arthur Azevedo

Arthur Azevedo

Quando se fala em Chianti é inevitável não se lembrar das tradicionais garrafas com base de palha, os Chianti Fiasco, adornos para as indefectíveis cantinas italianas que se espalham por todo o Brasil. A história do Chianti Fiasco tem origem nas primeiras garrafas de vidro produzidas para envasar o vinho, que eram sopradas e, portanto, tinham fundo redondo e por consequência não paravam em pé. A base de palha era feita à mão e se constituiu num apoio perfeito para o vidro redondo.

Nos dias de hoje, os melhores Chianti são vinhos modernos e elegantes, que exibem a inequívoca impressão digital do terroir da Toscana, em cujas colinas nos arredores de Florença, Siena, Arezzo, Pistoia e Prato estão plantadas as videiras de Sangiovese, a uva predominante em todos os Chianti, com porcentagens que variam de 70% a 100%. Outras uvas podem ser usadas, como Canaiolo, Colorino, Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc, entre outras, inclusive brancas.

Atualmente são individualizadas sete subzonas de Chianti: Rufina, Colli Fiorentini, Colli Senesi, Coline Pisane, Colli Aretini, Montalbano e Montespertoli, cada uma delas mostrando características peculiares, mas sem jamais perder a essência, o toque inconfundível do terroir da Toscana. O clima dessa região, com seus verões quentes e secos, colabora decisivamente para a perfeita maturação da Sangiovese, a mais plantada das varietais autóctones italianas e base de vinhos espetaculares, além do Chianti, tais como o Brunello di Montalcino e o Vino Nobile de Montepulciano.

Chianti Riserva, um vinho de guarda?
Para responder essa intrigante questão, o Consorzio del Vino Chianti promoveu, na 20ª edição da Expovinis, uma degustação de Chianti Riserva (vinhos com pelo menos dois anos de amadurecimento na vinícola, geralmente em barricas e tonéis de carvalho de diferentes tamanhos e procedências), em safras que variavam de 2001 a 2013, de produtores conceituados de Chianti, com composição que ia desde Sangiovese 100% até exemplares que tinham Syrah em sua fórmula.

ChiantiRiserva

Várias conclusões puderam ser extraídas dessa histórica, e inédita, prova no Brasil, principalmente no que diz respeito à longevidade dos Chianti Riserva. Todas as amostras, sem exceção, se mostraram muito vivas, com muito boa fruta e a maioria delas ainda com taninos muito perceptíveis, fato constatado pela ligeira adstringência, ou sensação de secura, no final de boca. Uma característica comum a todos os vinhos degustados foi o delicioso perfil aromático, com notas de cereja perfeitamente maduras e delicados toques florais. A marcante acidez também deu o ar da graça em todas as amostras, sendo parte importante da história, pois graças a ela, juntamente com os taninos e com o álcool, os vinhos resistiram bravamente ao tempo, como foi o caso dos Chianti Riserva das safras 2003 e 2001. Impressionante foi constatar que todos os vinhos ainda tinham respeitáveis níveis de fruta, fato que também contribuiu para os sabores agradáveis que permearam toda a degustação.

Parceiros da mesa
Perfeitos para a combinação com comida, os ecléticos vinhos de Chianti são ótima companhia para uma ampla gama de pratos, desde as indefectíveis massas com molho de tomate e pizzas clássicas, até sanduíches de frios nobres e pratos típicos da Toscana, como a Bisteca alla Fiorentina, a Papa al Pomodoro e a Trippa alla Fiorentina.

Aos poucos, o Chianti, em seus diversos estilos, volta a ocupar um lugar de honra entre os vinhos italianos no Brasil, graças à sua excepcional qualidade, aromas instigantes e sabores deliciosos. E lembre-se, os grandes Chianti Riserva vão se beneficiar, e muito, com algum tempo de guarda em adegas climatizadas.

Arthur Azevedo é Presidente da Associação Brasileira de Sommeliers-SP, palestrante e editor do website Artwine 

 


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