Mesa Completa - Por Solange Souza

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Colunistas • 28 de março de 2017

Brunello di Montalcino

Considerado o grande vinho da Toscana, o Brunello di Montalcino tem uma legião de fãs em todo o mundo – Arthur Azevedo

Arthur Azevedo

Um dos vinhos mais incensados da Itália, o Brunello di Montalcino tem rara personalidade, com enorme potencial de guarda, que reflete de maneira ímpar o destacado microclima da Toscana, berço de vinhos excepcionais e de reconhecimento internacional. Sua história começa a ser contada em 1869, quando Clemente Santi elaborou um vinho com a uva Sangiovese, colhida em 1865. A classificação como Denominação de Origem Controlada (DOC) veio muito mais tardiamente, em 1966, e a classificação Denominação de Origem Controlada e Garantida (DOCG) em 1980, quando o vinho já desfrutava de grande prestígio entre apreciadores e especialistas.

A área de produção fica nas proximidades da cidade de Montalcino, na Itália Central, e tem o formato aproximado de um quadrado, sendo os lados delimitados pelos rios Asso, Orcia e Ombrone, totalizando 24 mil hectares, dos quais apenas 15% estão ocupados com vinhedos de Sangiovese. O clima na região de Montalcino é, de modo geral, mais quente e seco que em outras áreas da Toscana Central, mas com uma brisa marítima que proporciona tardes e noites frescas, o que dá origem à boa amplitude térmica (diferença de temperatura entre o dia e a noite) elevada, permitindo o perfeito amadurecimento das uvas. A precipitação pluvial é de 700 mm, concentrada na primavera e no inverno, tendo como consequência um verão quente e seco e ausência de chuva na colheita.

A região de Montalcino foi a primeira a criar e incentivar o turismo de vinho na Itália e hoje é visita obrigatória na Toscana

O solo da Montanha de Montalcino foi formado em épocas geológicas diversas, apresentando-se denso e com formações rochosas na parte mais alta, e mais solto, profundo e fértil nas áreas de menor altitude. Dois tipos de solo são mais prevalentes, o galestro – rochoso, presente mais ao norte da DOC e que dá origem a vinhos mais estruturados e aromáticos, e a argila – na parte sul, origem de vinhos mais encorpados. Habitualmente os Brunellos di Montalcino são elaborados com uvas provenientes de várias áreas dentro da Denominação de Origem, permitindo ao enólogo criar vinhos de grande caráter e personalidade marcante.

A Sangiovese, a uva mais plantada da Itália e que tem vários clones, tais como a Sangiovese Grosso (Brunello) e Prugnolo Gentile (em Montepulciano), é a única uva tinta permitida para a elaboração do Brunello e do Rosso de Montalcino. A legislação exige um mínimo de 2 anos de amadurecimento em carvalho, tanto em barricas ou em botti (tonéis maiores), sendo o Brunello di Montalcino vendido 5 anos após a safra e o Brunello di Montalcino Riserva, 6 anos após a safra. O Rosso di Montalcino é um vinho mais simples e muito agradável, para ser consumido jovem, sendo vendido em primeiro de setembro do ano seguinte à colheita, com passagem opcional por carvalho.

Em sua melhor forma um Brunello di Montalcino exibe deliciosos aromas de frutas do bosque, toques de carvalho aromático, notas de baunilha e compota, com corpo pleno e harmonioso, com ótima persistência aromática. O Rosso di Montalcino exibe frutas frescas no aroma, com ótima acidez, corpo médio e muito boa persistência.

Na região ainda se produzem dois outros vinhos, o Sant’Antimo DOC, que pode ser tinto ou branco, e o delicioso Vin Santo. O Sant’Antimo DOC tinto é produzido com as uvas autorizadas da Toscana e uvas francesas (Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinot Noir) e o branco, segue a mesma orientação – uvas brancas toscanas e uvas francesas Chardonnay, Sauvignon Blanc e Pinot Grigio. Outra especialidade de Montalcino é o Moscadello di Montalcino, produzido com a uva Moscatel, em três versões: seco, espumante e de colheita tardia, este último um delicioso vinho doce que melhora sensivelmente com a guarda.

Arthur Azevedo é Presidente da ABS-SP, editor e consultor do site Artwine, jornalista, palestrante e professor dos cursos da ABS-SP.


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